Aventuras Cotidianas

15/11/2005

Feriado na Praia com Vizinhos...



- Vamos a la playa, Ohooooo, Vamos a la playa, Ohoooo... - cantarolando animadamente, levantei da cama na manhã de um lindo sábado. Passei os últimos dias contanto as horas para aproveitar meu final de semana na praia. Esticar as pernas. Ler um livro. Sentir aquela areia fofa e a brisa suave no rosto. Que delícia.

Mantendo esta paisagem em mente, fui ao banheiro realizar minha rotina matinal. Hoje não precisava disputar a vez com Lindy, minha mulher. Ela acordou antes para trabalhar e combinamos de nos encontrar na praia. A casa era toda minha.

Com a rotina cumprida, sai do banheiro como vim ao mundo, sentindo-me o próprio Dumbo voador balançando de um lado ao outro.

- Olha o elefante! - brinquei olhando para o espelho, vendo minha mala no chão do quarto. Estava pronta e organizada para viajar. Minha querida mulher organizou na noite anterior. Não pense que é uma tarefa imposta pelos dois anos de casado.

Na última vez que viajamos, fomos para uma pousada no interior. Pra dizer a verdade, no meio do mato mesmo! Depois do banho, reparei na falta das cuecas. Esqueci todas. Imagine sete dias no meio do nada com a mesma cueca? Sim! A questão nem era o cheiro mais. Chegou a um ponto que minha mulher queria emprestar a calcinha para as pessoas pararem de imaginar que usava a sunga molhada por baixo das calças. Também, não dava tempo para secar! Outra vez, foram as meias. Cinco dias sem tirar o sapato. Nos últimos dias, tive que dormir com eles na cama. Terrível. Então, fizemos um trato. Ela arruma as minhas malas e eu, bem, acho que não sei... não me lembro direito, mas tenho certeza que era um acordo justo. Tudo bem.

Coloquei as coisas no carro rumo ao litoral. Depois de quarenta minutos, cheguei à rua da praia. O guarda-sol e a cadeira me esperavam na areia. Cumprimentei o Arlindo, o porteiro e estacionei na vaga da garagem, apto 91. Em pouco tempo, já estava pronto para desfrutar o dia. Peguei meu livro, o protetor, óculos escuros e documentos. Pronto.

No corredor do prédio, as luzes acenderam e sai cantarolando a música matinal enquanto sentia meu pé acertando a quina da porta. Fechei os olhos de dor, me controlando para não gritar. Respirei fundo. Manquei até a porta do elevador apertando o botão. O led verde indicou que o elevador social iria descer.

- Ops... - meus trajes estavam adequados para não cruzar com vizinhos ou o síndico.

Parei de resmungar, notando que o elevador continuava parado no 14º andar. Coloquei o ouvido na porta. Nada. Tudo em silêncio. Nem os cabos se mexeram. Apertei o botão freneticamente e ouvi vozes ecoando pelo poço do elevador.

- O vizinho está segurando a porta. - resmunguei olhando apático para o visor. Indignado, bati com as mãos espalmadas fazendo o maior barulho possível - Solta o elevador!

Silêncio. Nem um xingamento em resposta. As luzes apagaram, deixando o corredor num breu completo. Droga. Olhei em volta, vendo as portas dos apartamentos iluminadas pelas bordas, fazendo me sentir no filme Poltergeist. Senti um calafrio nas costas quando uma corrente de ar gelada soprou pelo corredor. Bati novamente na porta, gritando desesperado.

- A porta! Solta o elevador! - gritei sentindo minhas veias saltarem da garganta. Com as mãos trêmulas, pressionei o interruptor de luz. Olhei para o relógio. Três minutos perdidos.

BIIIIIIIIIIPPPPPPPP. BIIIIIIIIIIPPPPPPPP. BIIIIIIIIIIPPPPPPPP.

O alarme da porta disparou e voltei para o apartamento para falar com o porteiro. O telefone esperneou na portaria sem ninguém para atender. Estava ficando bravo. Bati o interfone, voltando para o corredor. O elevador permanecia imóvel Esmurrei outras vezes a porta, xingando com palavras impróprias para serem publicadas. Nada. O único jeito seria pela escada.

Bufei de raiva. Abri a porta de emergência e comecei a descer. Seriam nove andares para baixo. Tudo bem. Mantive a paisagem da praia na mente para me acalmar. Ops! Quase cai. Não era uma boa idéia.

Nas escadas, um som familiar ecoou pelos andares. O motor do elevador começou a funcionar. Conferi o andar, o elevador vinha do 14ºandar e eu cheguei no primeiro. Era o momento para correr. Não sei o que poderia fazer. Corri. Desci os degraus o mais rápido que pude, a tempo de ver a porta do elevador social sendo aberta...

Continua na semana que vem...

Escrito por Mack às 21h30
[]



[ ver mensagens anteriores ]
 
 
 
       
   
Aventuras Cotidianas

Relatam o conturbado dia-a-dia do escritor Mack, que publica uma coluna semanal online -tarefa simples que torna-se hilária com as situações do cotidiano relatadas por ele com suspense, aventura e comédia.

São personagens constantes de suas aventuras, Genésia, sua editora-chefe, Domitila, sua nova assistente, e Lindy, sua mulher. Junte-se a isso, o cachorro Buick e o futuro papagaio Speak. Sem falar dos pais que moram na cidade vizinha e o argentino Dieguito com sua família.

Torça, emocione-se e ria com as Aventuras Cotidianas, publicada toda quarta-feira.

Crônicas Anteriores

- Speak Español - Parte 02
- Speak Español!
- Um novo Vizinho Impossível!
- Cidade Sitiada.
- Sufoco!!!!
- A Véia...
- A você/ E O Castigo de Lindy!
- Meu Espírito Natalino!(no fim blog)
- Feriado na Praia com Vizinhos FIM
- A Unha
- Feriado na Praia com Vizinhos 2
- Feriado na Praia com Vizinhos...
- Tempestade na Avenida
- Tempo, Tempo e Tempo
- A Primeira Batalha com a Formiga


Saiba Mais...
  O Autor


Adicionar aos favoritos


SITES RECOMENDADOS
    It's all about girls
  Baptistão - Caricaturas
  Quase Histórias de Amor
  Gocce di Piacere (em italiano).


VOTE AQUI!
    Dê uma nota para meu blog







Assine a NewsLetter