Aventuras Cotidianas

27/09/2006

Speak Español - Parte 02.



Parado. Por um instante, fiquei imóvel ao lado do batente do quarto.

— O que era aquele anão esverdeado embaçado, descendo as escadas? — perguntei em voz alta — O papai Smurf? Não, o papai Smurf é azul...

Desliguei a luz do quarto. O corredor ficou escuro, apenas iluminado pela luz azulada do celular. Não podia ficar ali. Do jeito que estava, descalço e enrolado no edredom florido que minha esposa comprou, parecia uma margarida gigante. Não ache que estou dizendo que minha esposa tem mal gosto, claro que não. Só quando se trata de estampas floridas. É verdade! Por acaso, você já teve um banheiro com todas as toalhas decoradas com gérberas coloridas? Se já, com certeza vai me entender. Senão, acredite no que digo.

Cruucccc. Cruuuuuuccccccpac.

Aos poucos, desci as escadas iluminando os degraus sujos de terra molhada. Seja o que for aquilo entrou pelos fundos da casa. Nos últimos degraus, segurei no corrimão e estiquei o corpo, olhando para os dois lados do corredor. Sala de estar. Nada. Cozinha. Nada. O corredor estava um breu. Uma luz vermelha brilhava do led do relógio em cima da mesa de telefone. A outra luz que parecia a lua cheia, era eu, vestido com meu pijama branco reluzente. — Decida-se Mack.

Ok. Cozinha. Virei para esquerda, tentando andar nas pontas dos pés. Tudo bem que de bailarina, não tinha nem a forma. A cada passo, apoiava na parede para não cair ou fazer barulho no assoalho. Pior do que estava não poderia ficar, mas mesmo assim, precisava manter um elemento surpresa ao meu favor. Apesar de que a única coisa favorável ali, era saber de cor o número de passos até a geladeira. 15 passos. 14 passos. 13 passos.

URUUUUUUUUUU.URUUUUUUUUUU.URRRUUUUUUUUU.

— O que é isso? — perguntei parando no meio do corredor. Não era o mesmo tipo de som. Fechei os olhos tentando identificar a origem.

URUUUU. URUUUUU.......URUUUUUUUUUUUU...

— Já sei... — respondi reconhecendo o som — É minha mulher roncando! Que medonho! Não sei como consigo dormir com esse barulho!

Cruuuuuuccccccpac. Cruuuuuuccccccpac.

— Essa não é minha mulher! — disse virando para o escritório. Aquilo não estava nos fundos da casa. Caminhei lentamente para o escritório, sem nada nas mãos para me defender. Sem problemas. Desta vez eu grito!

Puftttttttttttttttttttttttttt.

— Algo quebrou... — disse em voz baixa.

Não tinha mais dúvidas. Aquilo estava no escritório. Fiquei encostado na parede, maquinando uma estratégia de entrada. Dali eram dois passos para o escritório e outros quinze para a entrada da casa. Olhei para a porta de entrada, estranhando um detalhe. Minha vista, parecia embaçada. Instintivamente, coloquei a mão no rosto procurando meus óculos. Nada. Merda. Deixei os óculos na escrivaninha do lado da cama. Pensei em voltar.

— Não vai dar Mack! Vai sem óculos mesmo...

Tentei forçar a vista para enxergar a porta da frente. De repente, um vulto passa embaixo da porta pelo lado de fora. Gelei. Aquilo não estava sozinho. Meu coração palpitou mais forte e senti minhas mãos começando a suar. Era agora!

Em um gesto brusco, acendi a luz e entrei no escritório. Olhei em volta, tentando discernir qualquer movimento. Nada. Só a janela aberta. Andei, sem me preocupar com os móveis e olhei pela janela. Na parte de cima da rua, tive quase certeza que vi um vulto arredondado entrando naquela casa salmão horroroso. O argentino, o Dieguito! Sabia que era ele!

Cruuuuuuccccccpac. Maradonaaaaa.

Congelei com minhas mãos apoiadas no batente da janela. Tinha algo atrás de mim. Aos poucos, comecei a me virar. Minhas mãos tremiam. Senti minha pele arrepiar. Olhei para minha mesa. O som vinha dali. Não enxergava nada. Dei um passo à frente, tentando enxergar o que estava atrás do meu monitor. Vi um vulto verde pela bordas do monitor. Aquilo estava se mexendo. Mais um passo e saberia o que seria. Avancei.

— Um... Um... Papagaio? — disse olhando aquela ave pisando no meu teclado. Aquilo olhou para mim e não me mexi. O Dieguito colocou aquilo na minha casa!

— Que filha da...

Maradonnna...Crucccc... Melhor jogador do mundo!!!! Cruuuuccccpacccc.

Escrito por Mack às 14h16
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Aventuras Cotidianas

Relatam o conturbado dia-a-dia do escritor Mack, que publica uma coluna semanal online -tarefa simples que torna-se hilária com as situações do cotidiano relatadas por ele com suspense, aventura e comédia.

São personagens constantes de suas aventuras, Genésia, sua editora-chefe, Domitila, sua nova assistente, e Lindy, sua mulher. Junte-se a isso, o cachorro Buick e o futuro papagaio Speak. Sem falar dos pais que moram na cidade vizinha e o argentino Dieguito com sua família.

Torça, emocione-se e ria com as Aventuras Cotidianas, publicada toda quarta-feira.

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